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Postagens

Cansar, Calar e Caminhar.

Todo dia as pessoas lutam batalhas
Escrevem as suas histórias
em linhas tortas
Esperam
Cansam
Caminham
Às vezes tentando provar para alguém
um sentimento
Às vezes tentando dar conta da sua dor
provocada pela dor do outro
Às vezes tentando dar ao mundo uma parte de si
na esperança que o mundo reconheça
que você existe.
Às vezes tentando resistir a vontade de desistir
No meio do Caos
Há também esperança
naquele abraço genuíno
no sorriso espontâneo
no grito que diz
mais do que as palavras que se ouve.
No meio do vazio há força
tanta força que cria matéria
para a resistência
Às pessoas fazem coisas
que não entendemos
pois não somos o outro.
E mesmo que eu queira dar conta do mundo
Antes preciso dar conta de mim.

Sara.
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Uma Carta para Mim.

Eu preciso que você respire
e que não desista.
Não dê o seu melhor,
dê o que você conseguir dar.
Está difícil e eu entendo.
Nós já estivemos neste lugar antes.
Conhecer não é a mudança,
mas pode começá-la.
Eu preciso que você seja a pessoa que você é,
mais do que seu esforço
quero a sua atenção.
Eu preciso que você peça ajuda
e que se alimente.
Eu preciso que você olhe a sua volta
e perceba a natureza que te cerca
e se as lágrimas vierem, deixe-as vir.
Eu preciso que você tenha paciência
com você e com os outros
e não finja que nada está acontecendo.
Não esconda seus sentimentos,
mas fale  o que você conseguir falar.
Eu estou com você.
Resistir também é
Re-Existir,
deixar fluir
os sentimentos bons e ruins
Tomar fôlego
pra continuar desejando
estar aqui.

Sara.

(des)Amor.

Do desamor que habita em mim
ao desamor que habita o mundo

um laço profundo.
Parece onda do Mar
que repuxa
e faz você se sentir frágil, pequeno
incapaz de conter aquela força.
Ora é raiva, ora é medo
ora é dor.
Parece chuva que não molha
abraço que não dura
Parece aço que perfura
a terra
em busca de algo que não é dele.
Aqui
a raiva faz tremer
e o desejo de matar
sentimentos
aniquila a paciência.
Aqui jaz amor
entranhado
machucado
perdido
Entre o amor que habita em mim
e o amor que habita o mundo

um laço profundo
entrecortado
por outros sentimentos
Caóticos
como se recém saídos de Pandora
trôpegos
Fascinados pelos neons da violência
Onde há amor,
Há também desamor
E é dessa tensão
que nasce a Luta.

Sara.

*Dedicado à Marielle Franco.





Da Escadaria da Minha Vida.

Ela era uma pessoa jovem em uma carcaça velha.
Seu corpo era um antigo prédio.
Com longas escadas e paredes brancas.
Era possível ler coisas escritas em vermelho nas paredes.
Eram mensagens curtas que se apagavam
após serem lidas.
Um dia ela decidiu percorrer esse prédio.
Era frio, mas um frio diferente
era fresco dentro do prédio.
Quanto mais ela subia
mais sabia
que não estava perto de chegar em lugar nenhum.
Ela não tinha fim,
mas não sentia medo de continuar.
Às vezes sentia angústia com o que lia nas paredes,
às vezes tristeza
em alguns momentos alegria
e em outros contentamento pelos fatos vividos.
Ficava visível que nessa caminhada ela precisava de paciência.
Muitas frases nas paredes eram afirmações certeiras
de futuros prováveis
Ela sempre pensava demais.
O prédio não era escuro,
mas ela não sabia de onde vinha a luz.
Em certos andares, ela parecia estar nos corredores de uma grande casa,
mas logo outra escada aparecia
e a conduzia para lugares remotos de si mesma.
Ela sentia…

Aquele que não tem Nome.

É quando você simplesmente se apaga
e não te resta mais nada pra deixar levar...
É como beirar um abismo e não se jogar
Deitar sobre o chão e insistir em encarar o sol
É como queimar cartas que não foram entregues
É sentir demais e não saber como parar
É desejar o acabado
o retorno do que foi dado
o começo do fim
É açoitar as próprias costas
a fim de espiar os pecados
nunca cometidos
apenas desejados.
É um descontentamento
a espreita de pequenas alegrias
que na estrada aparecem
apenas para serem levadas por esse sentimento.
É apagar o que não foi escrito
apenas pensado
sonhado.
É um desconcerto
onde nada toca
onde o silêncio quer e toca a alma de quem para pra ouvir.
É uma corda de violão arrebentada
descompassando as músicas
sendo indesejada.
Esse é o sentimento.
Aquele que não tem nome.

Sara.

Vazante.

Eu quero fazer uma cartografia desse sentimento.
É um rio vazante que se estende por mim.
É despretensioso,
mas sem tardar seu peso me joga ao chão.
Grandes suspiros me tomam
e eu lamento cair,
mais uma vez,
sobre esse sentimento.

Eu sinto demais
e de tanto sentir
eu canso.

É um tecido remendado que sempre rasga
e eu novamente costuro
porque é o único que tenho
não dá para me livrar desse sentimento.

Caída ao chão eu reflito
chegando às mesmas conclusões
eu minto
de que não permitirei que se repita.

É cruel se ver refém de um rio vazante,
que não se importa com as barragens,
ele sempre rompe.

Dedicada a divagar
eu aceito a velocidade dessa água
eu aceito a violência dessa água
eu aceito a existência dessa água
em uma tentativa tosca de deixa-la correr
de mim.

Sara.

Seja Água.

Eu ouço um grito.
Um grito de dor.
Um grito que diz que eu não caibo no seu mundo.
Essa voz geme.
Porque sou uma inconsistência,
uma incoerência no seu mundo.
Perfeito mundo.
Pra quem?

Eu amo essa voz,
mas eu sou a diferença.
Eu sou um ponto fora da curva
que questiona o seu mundo.

Eu não pedi por isso
eu não escolhi a sua dor,
mas eu escolhi me amar
e isso afetou o seu amor
pelo seu mundo.

Cristo também era a diferença
Ele era amor
e também afetou o mundo
que o rejeitou.
Ainda assim ele amou.

Me permita embalar seu choro
em meu longo abraço.
Nada mais tenho a oferecer.
Eu sou pobre,
a grandeza reside nos homens e mulheres feitos.
Eu sou constante mudança
Se permita ser também.

Seja água.
água que transforma.
Ora líquida, ora sólida
ora nuvem, ora chuva,
ora quente, ora fria,
ora fraca, ora forte
ora desejada, ora incômoda
ora poça, ora rio,
ora mar,
ora gente.

Sara.